quinta-feira, 5 de março de 2015

Introdução à MLS - Major League Soccer


Aqui no nosso blog, o gosto por futebol é unânime a todos os que aqui escrevem. Nem poderia acontecer o contrário. E é por isso que, confessamos, estamos entusiasmados com a Major League Soccer, a liga norte americana de futebol profissional. Quer pela qualidade individual que tem vindo a ser acrescentada ao longo destes últimos anos, mas também pela estrutura apresentada e pela quase certeza americana de que o espectáculo está garantido!

Os estádios estão, na sua grande maioria, sempre cheios. Os adeptos cada vez mais conhecedores e permeáveis a um fenómeno de massas que parecia quase desprezado, marcam presença no seu "homecourt" e apoiam o clube da zona. O investimento, tanto ao nível de infra-estuturas clubísticas (estádios, emblemas, equipamentos, academias de formação, etc), como ao nível da contratações sonantes
, tem sido avassalador. E, por fim, a qualidade do marketing americano assegura que a emoção e a vibração que o futebol nos traz vai estar bem espelhado nos jogos da MLS.

Como tal, fizemos um levantamento de todas as equipas e dos seus elementos que tentarão colocar a MLS no mapa do futebol mundial.
 
Toronto FC

Melhores jogadores: Michael Bradley, Sebastian Giovinco, Jozy Altidore
Outros jogadores a referir: Steven Caldwell, Benoit Cheyrou, Luke Moore, Damien Perquis
Treinador: Greg Vanney

Seattle Sounders FC

Melhores jogadores: Obafemi Martins, Clint Dempsey, Gonzalo Pineda
Outros jogadores a referir: Marcus Hahnemann, Onyekachi Apam, Djimi Traoré, Marco Pappa
Treinador: Sigi Schmid

New York City FC

Melhores jogadores: David Villa, Mikkel Diskerud, Adam Nemec
Outros jogadores a referir: Josh Saunders, George John, Tony Taylor
Treinador: Jason Kreis

San Jose Earthquakes

Melhores jogadores: Chris Wondolowski, Innocent Emeghara, Víctor Bernárdez
Outros jogadores a referir: Matías Pérez, Pablo Pintos, Sanna Nyassi
Treinador: Dominic Kinnear

Montreal Impact

Melhores jogadores: Ignacio Piatti, Laurent Ciman, Marco Donadel
Outros jogadores a referir: Matteo Ferrari, Jack McInerney, Piscu
Treinador: Frank Klopas

Orlando City SC

Melhores jogadores: Kaká, Brek Shea, Aurélien Collin
Outros jogadores a referir: Donovan Ricketts, Eric Ávila, Rafael Ramos, Estrela, Martin Paterson
Treinador: Adrian Heath

Portland Timbers

Melhores jogadores: Maximiliano Urruti, Diego Váleri, Gastón Fernández
Outros jogadores a referir: Fanendo Adi, Rodney Wallace, Will Johnson, Pa-Modou Kah, Adam Larsen Kwarasey
Treinador: Caleb Porter

Houston Dynamo

Melhores jogadores: DaMarcus Beasley, Giles Barnes, Samuel Inkoom
Outros jogadores a referir: Boniek García, Omar Cummings, Will Bruin, Ricardo Clark
Treinador: Owen Coyle

Chicago Fire

Melhores jogadores: David Accam, Shaun Maloney, Guilherme do Prado
Outros jogadores a referir: Razvan Cocis, Mike Magee, Patrick Nyargo, Jhon Hurtado, Adaílton
Treinador: Frank Yallop

A MLS será transmitida pela Eurosport


Para concluir, deixamos o site oficial e o facebook da MLS. Divirtam-se, que nós vamos tentar fazer o mesmo!


segunda-feira, 2 de março de 2015

Notas soltas sobre o Clássico

- Porto com uma entrada expectante no jogo, mas a melhorar à medida que o tempo passava. O primeiro golo funcionou como "click" para acordar definitivamente a equipa. Muito fortes na reacção à perda da bola e na forma como souberam escolher muito bem os timings de pressão. Ofensivamente, grande mérito para a forma como conseguiram, de forma relativamente rápida, identificar o ponto fraco do Sporting e aquele que lhes poderia trazer grandes benefícios (a profundidade e o espaço entre o central e o lateral, sobretudo do lado direito do seu ataque), e canalizar por aí todos os momentos em que procuraram essa profundidade, através da velocidade de Tello. Com outra qualidade no capítulo do passe e da leitura de jogo (aspectos onde Casemiro e Herrera acabam por prejudicar mais do que ajudar, embora o mexicano também tenha feito um grande passe para o terceiro golo dos azuis e brancos), o espanhol poderia ter tido uma noite ainda mais brilhante, visto que Jonathan Silva nunca pareceu capaz de o travar;


- Sporting superior nos primeiros 20 minutos, mas horrível a partir daí. Pior exibição da época para a equipa leonina. Impressionante, pela negativa, a forma como, com o avançar do jogo, foram completamente incapazes de construir uma jogada "com pés e cabeça". Ligação entre sectores praticamente nula. Defensivamente, a coordenação, organização e equilíbrio da linha defensiva é assustadora, e os dois últimos golos do Porto são exemplos claros disso. Aliás, em ambas as jogadas, não faz sequer sentido falar-se numa "linha defensiva". É caso para perguntar qual é, exactamente, o trabalho que Marco Silva realizou neste aspecto nos quase 8 meses que leva no Sporting;

- Individualmente, além de Tello, homem do jogo, há que destacar claramente outro jogador: Evandro. Grande exibição do médio brasileiro. Como Lopetegui referiu, e muito bem, na flash-interview, Evandro, acima de tudo, traz futebol à equipa. E não há mesmo melhor forma de o descrever. Quando recebe, já sabe qual será a sua próxima acção. Pensa rápido, executa rápido e sabe de cor todos os passos para chegar aonde quer chegar. Entrega no colega, e, de forma natural, a sua primeira reacção é dar uma nova linha de passe ao portador da bola. Joga a 2/3 toques sempre que possível. Assim, de forma aparentemente simples, mas que parece tão complexa para alguns. Evandro é o oxigénio de qualquer equipa que goste de ter a bola e que goste de praticar bom futebol. Apenas um reparo: é uma pena que Lopetegui pareça não contar com ele para o lugar ocupado actualmente por Herrera. Evandro e Óliver podem (e devem!) coexistir no 11. E o futebol do Porto evoluiria imenso com isso;

- Do lado do Sporting, muito pouco a destacar pela positiva. João Mário e William ainda se esforçaram, mas cedo se viu que estavam muito desacompanhados. Na defesa, Paulo Oliveira foi curto para acudir a tantos fogos. Limpou o que conseguiu, mas teve uma tarefa muito ingrata. Já pela negativa, destaque claro para dois jogadores: Adrien e Fredy Montero. O primeiro voltou a realizar uma exibição horrenda, falhando a grande maioria das suas acções com bola, e demonstrando muita vontade mas pouca inteligência sem ela. É claramente um dos elos mais fracos deste Sporting, e a equipa já não beneficia em nada da sua presença no meio-campo. Quanto ao colombiano, fez a sua pior exibição desde que chegou a Portugal. Incrível como, sendo um jogador que muito frequentemente se caracteriza pela sua inteligência, visão de jogo e capacidade de dar sempre o melhor seguimento à jogada, Montero conseguiu ontem errar em praticamente todas as suas acções no jogo. Um jogo para esquecer. Ou para relembrar;

- Por fim, não podíamos mesmo acabar este texto sem dar o devido destaque ao jogador mais genial do jogo de ontem, e também ao momento mais genial do jogo (quiçá da época). Jackson Martínez, e o seu calcanhar, que começa a ser famoso. Aquilo que o colombiano faz no primeiro golo do Porto é algo que só está ao alcance dos predestinados, dos génios. Um momento de magia, daqueles que delicia qualquer fã do jogo. Num jogo até aí relativamente mal jogado, e até algo aborrecido, Jackson puxou do pincel e pintou uma obra de arte, que catapultou o Porto para uma estrondosa e inquestionável vitória no Clássico. Vale a pena ver e rever. E rever. E rever...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Fala quem sabe


A importância de ouvir de quem sabe, de quem já passou pela situação. Arriscar na saída em construção vs jogar em segurança. Acima de tudo, a percepção do contexto, daquilo que cada momento pede e daquilo a que nos permitimos imaginar. Sim, existem situações em que a saída de bola deve ser feita em segurança, dependendo da confiança dos jogadores, do conhecimento que se tem do adversário, do momento do jogo, do resultado no placar. Mas acima de tudo, ter a honestidade, coragem e ambição de querer sempre olhar para além do comum. Do "chuta pra frente porque estás pressionado", do "não arrisques que vais perder a bola", pensamentos castradores da verdadeira natureza do jogo.

É este o caminho. Dar liberdade a quem pode (e deve) falar do jogo e abandonar os tasqueiros de praça pública. Henry, será sempre um prazer.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

VfL Wolfsburg - o que espera o Sporting na próxima 5ª-feira

Após a travessia no deserto sem ir à fase de grupos da Champions, o Sporting alcançou um 3º lugar, injustamente. E injustiça na posição classificativa no grupo G, porque o 2º lugar era o que o Sporting merecia ter alcançado, não fosse a incompetência do árbitro no jogo em Gelsenkirchen. Bateram-se bem contra um Chelsea de outra galáxia, deixaram-se empatar nos últimos minutos em Maribor e que agora sabemos o que suspeitámos logo na altura: os 2 pontinhos perdidos na Eslovénia tinham dado cá um jeito... Nem a péssima arbitragem na Alemanha  condicionariam a equipa de Alvalade no apuramento para a próxima fase. Todavia, para um clube que teve tantos anos afastados das competições europeias e para um plantel com pouca experiência (com imensos jogadores formados na sua cantera e não habituados a estas lides), o Sporting fez uma boa prestação. E o caminho óbvio seria a Liga Europa. E na rifa saiu o Wolfsburg, das equipas mais fortes que podiam ter calhado.

O Wolfsburg organiza-se em 1x4x2x3x1:


Começando na baliza, um velho conhecido de quem acompanha o futebol português, temos Diego Benaglio. O capitão e o líder da equipa com uma boa performance já nestes longos anos na Alemanha. É um bom guarda-redes que dispensa apresentações.
Na defesa temos Ricardo Rodríguez a DE, lateral forte defensivamente e que se envolve bem no ataque. Knoche e Naldo formam uma dupla fortíssima, com um poder aéreo assinalável (entre eles têm de média de altura 1,94m), robustos e que transmitem a segurança defensiva que o Wolfsburg precisa para poder construir o seu jogo. Do lado direito da defesa, temos visto Vieirinha: o português que todos conhecemos como extremo tem feito vários jogos do lado direito (ganhando posição a Sebastian Jung), mostrando a vocação ofensiva mesclada com a sua qualidade individual, e também associada a uma boa capacidade posicional e ocupação de espaços.
No meio-campo temos Max Arnold, um jogador com uma capacidade de passe extraordinária, rápido a pensar e a jogar, mas que joga mais recuado do que na sua formação enquanto futebolista, onde ocupava espaços mais ofensivos. Luiz Gustavo (a boa notícia é que está castigado para o jogo de 5ªfeira) é o pêndulo deste meio-campo, normalmente mais posicional e com capacidade física para conseguir limpar e entregar jogável aos colegas da frente: a grande mais-valia deste Wolfsburg.
Sem qualquer dúvida, Caligiuri, De Bruyne e Dost têm uma qualidade individual assinalável e que são jogadores de grande categoria. A juntar a este elenco a aquisição de inverno vinda do Chelsea - Schürrle - afirmamos, sem dúvida, que esta frente de ataque é temível.

As grandes armas do conjunto alemão assentam na velocidade e verticalidade do seu jogo, na rapidez das suas transições, culminando com a qualidade individual de cada um dos elementos do 11 escolhido (Não esquecendo Guilavogui, Perisic e Hunt, por exemplo) por Dieter Hecking.

Esticando o jogo e procurando transições directas, o Wolsfburg é uma equipa que está muito confortável a jogar no contra-ataque, procurando sempre recuperar rapidamente a bola no seu
meio-campo e compactando o espaço para não deixar sair a jogar. Normalmente é De Bruyne/Dost a sair na pressão ao portador da bola, com os 4 no meio-campo a organizarem-se defensivamente com coberturas bastante próximas dos colegas, tendo como objectivo máximo a saída rápida, esticando linhas e chegando à baliza adversária o mais depressa possível. Por vezes, há ocasiões onde Arnold não é tão agressivo na ocupação de espaços, deixando Luiz Gustavo demasiado desacompanhado e a braços com situações de inferioridade numérica (acrescentando ainda as situações onde os extremos não estão preocupados com a vertente defensiva).

Em organização ofensiva e quando estão com a posse de bola, o Wolfsburg prefere sair seguro com os extremos a posicionarem-se entre-linhas, perto do corredor central, com os laterais a abrirem o jogo, progredindo com bola ou explorando a profundidade, esperando que surja um passe nas costas da defesa. A finalidade do jogo ofensiva é sempre a área adversário, maioritariamente usando cruzamentos para chegar até lá. A outra situação mais ocorrente no jogo ofensivo do Wolfsburg, é Bas Dost (excelente avançado, grande e forte) que se apresenta como referência ofensiva: seja para o jogo directo onde faz uso do seu 1,92m e 85kg para ganhar terreno em espaços mais seguros, ou descendo para dar linha de passe vertical ao portador da bola, arrastando marcações e dando espaço a De Bruyne, Schürrle e Caligiuri para actuarem com rapidez nas costas da defesa.


Para além de Dost, existe De Bruyne. Mais que um "nº10", um maestro, ou um organizador de jogo, De Bruyne tem velocidade, drible e sentido de baliza que lhe conferem um papel muitíssimo activo neste estilo de jogo alemão, na procura de golos e oportunidades claras para atormentar o guarda-redes adversário.


Para além do que referimos, as bolas paradas são também uma mais-valia neste Wolfsburg. Para além dos livres directos onde De Bruyne, Arnold e até Naldo (que grande golo marcou frente ao Leverkusen!) gostam de dar um ar de sua graça; nos cantos e livres indirectos a ameaça é constante face à altura dos jogadores que figuram no plantel alemão.

Para o Sporting a missão é extremamente complicada, somos sinceros. Só com um jogo muito bom a nível defensivo e com um jogo ofensivo assertivo, não precipitado  e capaz de saber explorar as debilidades defensivas do Wolfsburg é que o Sporting sairá da Alemanha com um resultado positivo.

Mas sonhar não custa, e desejamos que o Sporting consiga um bom resultado para resolver a eliminatória em Alvalade.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Criatividade, Espaço Entrelinhas e Outras Coisinhas

O lance que trago hoje para discussão diz respeito ao primeiro golo do Tottenham contra o Liverpool, a contar para a 25ª jornada da Premier League, num desafio em que os comandados de Mauricio Pochettino até acabaram por sair derrotados por 3-2. A finalização de Harry Kane, muito mal executada por sinal, é o que menos importa na jogada, por isso vamos concentrar-nos na construção da mesma, da autoria dos dois jogadores mais criativos do plantel, Eriksen e Lamela.


A jogada começa com a bola na posse do lateral direito Kyle Walker e a primeira nota positiva vai para a movimentação dos jogadores do Tottenham que, em vez de fazerem «campo grande a atacar», como mandam os livros, optam por aproximar-se, concentrando-se em redor de Walker e oferecendo-lhe linhas de passe próximas. Este movimento conjunto de aproximação ao portador da bola, juntamente com a circulação da bola sempre por dentro, obriga o meio-campo do Liverpool a ajustar o seu posicionamento e o espaço entrelinhas - o ouro, portanto! - fica então descoberto. Se se parar o vídeo aos 8 segundos, quando a bola sai dos pés de Lamela para Eriksen, a distância entre a linha defensiva e a linha média do Liverpool é por demais evidente. Aliás, diga-se que esta má articulação entre sectores é um defeito grave da equipa de Brendan Rodgers e tem sido uma constante, não só esta época, mas também durante grande parte da época passada; provavelmente para tentar resolver alguns problemas de controlo de profundidade que o Liverpool sentiu o ano passado, Rodgers pediu (e pede) à sua linha defensiva que não conceda tanto espaço nas costas, mas com isso só consegue que qualquer equipa, mesmo de menor qualidade, jogue com facilidade dentro do bloco e entre as linhas do Liverpool, já que o meio-campo continua a ter ordens para efectuar um pressing médio/alto. Mas isso são contas de outro rosário...Voltando ao lance em questão, a bola chega por fim a Eriksen, que toma a decisão que desbloqueia verdadeiramente toda a jogada. A tabela com Lamela, com o passe a entrar entre dois médios do Liverpool, é um gesto técnico relativamente simples, mas são poucos os médios ofensivos que, tendo outras opções, decidem forçar o jogo pelo corredor central, metendo a bola ali, no meio de um aglomerado de jogadores adversários. Outro jogador, menos imaginativo, provavelmente tinha optado por jogar no apoio recuado ou mesmo esperado pela subida do lateral, para tentar o overlap. Mas Eriksen não é um jogador qualquer e conseguiu a proeza de decidir rápido, bem e, ao mesmo tempo, com imprevisibilidade. A assistência de Lamela para Kane, atacando o lado esquerdo e depois fazendo a bola entrar do lado direito, apanhando os defesas em contra-pé, é muito boa, mas o mais difícil, que era colocar a bola na zona onde tudo acontece, estava feito.

Dois jogadores com uma criatividade acima da média, com três passes do mais simples que há, foram capazes de ultrapassar oito adversários e de colocar um colega numa situação de 1x1 com o guarda-redes. Oito adversários, repito, ou seja, mais de meia equipa! Muito mais do que passes longos vistosos, pedaladas, cabritos ou vírgulas, criatividade é isto. E uma equipa, não descurando obviamente outras formar de criar oportunidades de golo, nomeadamente através do jogo exterior, será tanto mais imprevisível e versátil a atacar, quanto mais capacidade tiver para recrear jogadas ofensivas deste tipo e quanto mais jogadores com a capacidade inventiva de Eriksen e Lamela conseguir reunir no onze.