«The really good players are the ones who never lose the ball. Those who know how to pass it and who never lose it. They are the good ones. And that’s who you must always use, even if they are lower profile than the rest.»
Pep Guardiola
Corria o minuto 89 em Alvalade. Minutos antes, o Sporting adiantara-se finalmente no marcador, por intermédio de Jefferson, e tinha assim uma oportunidade de ouro de encurtar a distância para o maior rival para 4 pontos e relançar a luta pelo título. Assim sendo, nos poucos minutos que restavam, era imperioso não deixar o Benfica ter a bola, necessitando o Sporting, para isso, de a conservar em seu poder longe da sua grande área e de baixar o ritmo do jogo o mais possível, por forma a desgastar o adversário física e psicologicamente. Nestas circunstâncias, como permitir então o empate? Simples. Ter jogadores displicentes, com uma capacidade de decisão sofrível e escassa qualidade com bola.
Atentemos num momento em que o Sporting tenta - e bem! - circular a bola a toda a largura, com paciência e critério. No instante em que a imagem pára, a bola está a vir da meia direita para a direita, mas, infelizmente, o destinatário do passe de Paulo Oliveira é Cédric, um dos jogadores mais acarinhados pelo público leonino e um dos que mais escapa às críticas negativas, sem se perceber muito bem o porquê, já que é, a alguma distância, o elo mais fraco do onze. Vejamos então o que acontece quando a bola chega aos pés de Cédric.
Na altura em que se prepara para receber a bola, Cédric tem três opções: a) devolver o passe a Paulo Oliveira, que já estava posicionado para fornecer o apoio recuado; b) usar a linha de passe interior, dada por Mané; c) ficar com a bola, tentando ganhar uma falta ou um lançamento de linha lateral. Todas estas opções, com maior ou menor risco, permitiriam ao Sporting o que era verdadeiramente essencial naquela fase crítica do jogo: ter a bola! Mas Cédric, com a falta de inteligência a que já nos habituou, resolve o lance da única maneira que conhece, ou seja, com um balão sem nexo para onde estava virado.
Repare-se que o esférico ainda não saiu dos pés de Paulo Oliveira e toda a linguagem corporal do lateral direito leonino dá a entender que não equaciona sequer outra hipótese que não seja livrar-se da bola a todo o custo, como se fosse uma granada prestes a explodir. O lance, que até nem era especialmente exigente do ponto de vista técnico ou de decisão, claro está que acabou nas mãos de Artur e o Benfica pôde recomeçar nova vaga de ataque, conseguindo mesmo chegar ao empate, nos últimos segundos do encontro.
Responsabilizar unicamente Cédric por estes dois pontos perdidos seria uma análise demasiado simplista e redutora e esse está longe de ser o propósito deste texto, mas, para quem vê os jogos do Sporting com olhos de ver, decisões destas são recorrentes em Cédric. É um lateral rápido, abnegado e com alguma competência no 1x1 defensivo, mas a sua qualidade com bola é francamente insuficiente para este nível, sobretudo se fizermos a comparação com os laterais que Porto e Benfica têm à sua disposição. Mesmo Maxi Pereira, que está longe de ser um lateral de eleição, tem um leque de recursos ofensivos que não está ao alcance de Cédric. Para os mais cépticos, só peço que estejam atentos aos próximos jogos do Sporting e que contem o número de vezes em que ele traz o jogo para dentro para criar desequilíbrios, em que ganha a linha de fundo e cruza atrasado em vez de mandar a bola para a molhada, em que sai da pressão através do drible, em que usa os apoios interiores para progredir, em que faz um passe de mais de 2 metros que não seja a «queimar» o colega. Muito poucas! Não, as suas acções com bola são do mais básico e rudimentar que há e se, há uns anos, não se exigia tanto, em termos ofensivos, dos jogadores que jogam em posições mais recuadas, actualmente, com o aperfeiçoamento crescente das estratégias defensivas, todas as posições, sem excepção, devem ter jogadores capazes de realizar mais do que duas ou três acções padronizadas e previsíveis. Num clube grande como o Sporting, torna-se mesmo obrigatório.
Enfim, é Cédric no seu melhor. O verdadeiro rei do chutão.
P.S. No meio-campo, embora em muito menor escala, existe um problema semelhante e chama-se Adrien Silva. Mas quando Ryan Guald começar a aparecer com mais frequência na equipa principal, como espero que venha a acontecer a curto/médio prazo, talvez se perceba que Adrien, apesar de ter valor, não é tudo aquilo que dizem que é, nomeadamente a nível ofensivo.



