terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Wir lieben dich, Marco


A notícia do dia : Marco Reus renova contrato até 2019.

Após tanta especulação sobre o qual o próximo clube de Reus (falou-se de Barcelona, Arsenal, Real Madrid e até mesmo Bayern), esta acabou de forma mais simples do que alguns gostariam: Marco Reus fica no Dortmund.

Após 2 épocas ao serviço do Dortmund onde os bons resultados, e sobretudo o bom futebol, se evidenciaram a um nível raramente visto, a sua 3ª época tem sido para esquecer. O Borussia está em 16º lugar, com um ponto abaixo da linha de água. Parece impossível, nós sabemos... Mas a verdade é que após uma final da Champions, uma Bundesliga e dois 2º lugares atrás do colosso monopolista Bayern, o Borussia está nesta situação periclitante.

Apesar desta época desastrosa (a nossa convicção é que o Dortmund vai conseguir a manutenção) e após tentadores convites e propostas de clubes com maior dimensão, possivelmente mais dinheiro e desafios mais ambiciosos: Marco Reus escolheu renovar o seu contrato e ajudar o Dortmund a voltar a encontrar os trilhos do sucesso.
"I am looking forward to a successful future with our team and our fantastic fans supporting us. There is a lot to do and I want to be part of that"
E quem ainda acredita que existe romantismo no futebol, expressos através do amor à camisola, à lealdade intrínseca a um clube ou ideal ... esta é uma excelente notícia. 

A virtuosidade com que finta e com que se move, acompanhada pela sua velocidade de pensamento e tomada de decisão são factores que elevam a sua polivalência (tanto atrás do ponta-de-lança, extremo esquerdo ou extremo direito) e a sua preponderância numa equipa como o Borussia Dortmund - ainda mais no modelo de jogo de Jürgen Klopp, que ficará bastante agradecido e feliz por esta decisão de Reus.

Acredite que nós também, Mister Klopp. Nós também...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Um derby ... razoável


8 de Fevereiro, o eterno derby do futebol português: Sporting vs Benfica.

Tacticamente, as equipas entraram para o jogo sem surpresas (mesmo esquema táctico de parte a parte); mas do lado do Benfica uma pequena alteração com André Almeida a figurar no centro do terreno ao lado de Samaris. Apesar de ter sido um jogo com intensidade física, com os jogadores a encararem o jogo com garra e vitalidade, do ponto de vista futebolístico o jogo não foi um “must see” que todos quereríamos assistir.

O anfitrião, no seu próprio estádio, não protagonizou um bom jogo de futebol, recorrendo sempre a um jogo mais directo e a valorizar a velocidade de Carrillo e a virtuosidade de Nani – sempre as referências do jogo ofensivo do Sporting. Tacticamente organizados e com linhas sempre juntas (quase todas as 2ªs bolas foram ganhas pelos verdes e brancos), a superioridade numérica que teve no meio-campo não foi suficiente para criar um fio de jogo atractivo, com passes curtos e desmarcações entre as linhas do Benfica. Defensivamente, a linha defensiva do Sporting não se mostrou suficientemente coordenada (apesar da boa exibição dos jovens centrais Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo), assim como os interiores João Mário (sempre a jogar mais adiantado que o colega de meio-campo) e Adrien mostraram alguma permeabilidade defensiva, fazendo com que o Benfica na 1ª parte conseguisse jogar entre-linhas com Samaris a sair a jogar e Jonas a descobrir espaços para receber o passe vertical.

Todavia, do lado benfiquista o jogo foi ainda mais pobre. O Benfica mostrou-se tecnicamente débil, dificultando a construção de jogo numa primeira fase (onde em maior evidência realçamos Eliseu e Jardel, que mostraram ter problemas claríssimos em conseguir jogar com a bola controlada); a nível táctico, o Benfica mostrou-se ao seu nível, com o sector defensivo sempre atento a ler o jogo: controlando bem a profundidade e sabendo ajustar a linha defensiva nos momentos que devia. De quando em vez, vimos um Jonas inspirado a receber jogo ofensivo e clarividente em levar a sua equipa para a frente, tentando motivar os seus colegas de ataque. Tarefa que não conseguiu, mas não por culpa própria, porque hoje vimos um Salvio a decidir mal e a tentar elevar o jogo à sua capacidade individual; um Ola John a demorar muito com a bola no pé; e um Lima a não ser a referência ofensiva que o Benfica precisava, completamente ofuscado pelo bom jogo dos centrais adversários. Esta pobreza ofensiva fez com que o Rui Patrício tivesse uma noite bem descansada: não foi obrigado a fazer nenhuma defesa esforçada. Nem a entrada de Talisca aos ’64min - que por certo tinha o objectivo de receber dentro do bloco leonino, progredindo com bola para tentar um passe de morte ou fazendo uso da sua meia distância - conseguiu perturbar o guarda-redes da casa.

Na 2ª parte, vimos um Sporting mais atrevido, a trocar mais a bola e com mais jogadas de perigo: Montero por duas vezes obrigou Artur a ir ao relvado e Carrillo num bom cabeceamento também tentou a sua sorte. É bom realçar que William Carvalho voltou ao seu bom plano, sendo um esteio defensivo e uma mais-valia a lançar os ataques leoninos com bons passes verticais a chamar a jogo Montero, Carrillo e Nani.

Os golos, nos últimos minutos do jogo, são um exemplo representativo do que foi o jogo: um jogo aguerrido, sem muitas jogadas deslumbrantes, com atitude e seriedade dos jogadores de ambas as equipas e que resultaram em 2 ressaltos e, consequentemente, 2 golos.

Quem gosta de futebol, pedia mais e merecia melhor de um jogo que é sempre um marco na história do futebol português!

PS: Excelente arbitragem do árbitro Jorge Sousa. Nota bastante positiva para uma exibição que demonstrou que a equipa de arbitragem tem de ser o conjunto menos notado em jogos de futebol.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A referência de uma geração

Hoje exaltamos Cristiano Ronaldo. O futebolista português entra na casa dos 30 com com uma carreira recheada de títulos, recordes pessoais e coletivos e não parece haver indícios para que a saga termine nos próximos tempos.

Depois de Eusébio e Figo, Portugal ganhou em Ronaldo uma referência que entusiasma adeptos, treinadores e todos os que gostam de futebol, um pouco pelo mundo inteiro. Um modelo a seguir para quem ambiciona chegar ao topo da modalidade, pelo perfil que apresenta dentro das 4 linhas, pela dedicação, pelo empenho, pelo perfeccionismo que persegue dia após dia que lhe proporciona todas as suas conquistas.

Sendo um fenómeno à escala mundial, Cristiano, mais do que qualquer outro jogador, está constantemente sujeito ao olhar da imprensa por questões extra-futebol, aspetos esses que se tornam absolutamente irrelevantes para qualquer análise puramente objetiva e imparcial no que toca à sua capacidade futebolística.

Por isso, falemos do que realmente importa. Quem pensa em Ronaldo pensa em golos. Muitos golos. Normalmente, as estatísticas no futebol, desprovidas de contexto, de nada ajudam, principalmente a quem as toma por absolutismos. Excepto quando os números atingem patamares estratoféricos, como é o caso. Falar em Ronaldo é falar no melhor finalizador do futebol atual, por todas as características que foi desenvolvendo ao longo da carreira. Seja de maneira for, seja em que situação for, Ronaldo consegue sempre arranjar maneira de ajudar a equipa a chegar ao objetivo do jogo. No momento da finalização é um jogador do mais completo que existe e é isso que lhe concede sua imensa notoriedade. Desde os tempos de Manchester que tem vindo a tornar-se cada vez mais refinado no aproveitamento das oportunidades, juntando à sua imprevisibilidade de ação uma capacidade de remate fantástica. Com alguém na equipa com tamanha capacidade em determinado momento, cabe ao treinador orientar o seu Modelo de forma a potenciar toda a sua qualidade. Diz-se que nenhum jogador está acima da equipa e com toda a razão. O coletivo é sempre o mais importante. Mas de tempos a tempos, aparecem jogadores tão competentes em determinado contexto que obrigam quem lidera a repensar estratégias e a alterar concepções, para que o todo possa ajudar o individual... porque o individual melhora o todo.

Ronaldo é isto. Um jogador que ultrapassa tácticas, que consegue desequilibrar e decidir jogos em momentos inesperados, que apaixona adeptos e quebra recordes atrás de recordes. Um exemplo de potencialização através do trabalho, das ruas do Funchal às luzes de Madrid. Parabéns Cristiano.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Paços de Ferreira e o fim de um recorde

O Benfica perdeu em Paços de Ferreira. Um resultado que, face ao que se passou em campo, é perfeitamente aceitável, diga-se. Foi apenas a terceira perda de pontos dos encarnados na competição, depois do empate na Luz frente ao Sporting e da derrota em Braga, frente ao Sporting de Braga.

Este registo valoriza ainda mais a vitória de hoje do Paços. Uma equipa muito bem orientada por Paulo Fonseca, que tem mostrado que a sua passagem falhada pelo Porto foi apenas um momento menos feliz da sua carreira. O seu Paços, tal como o Paços da sua primeira passagem pelo clube, é uma equipa que joga "à grande". Uma equipa muito organizada em todos os momentos do jogo, uma equipa que conhece bem os fundamentos do jogo e que consegue colocá-los em prática, e uma equipa que retira um grande rendimento de todos os seus jogadores, pois consegue pegar nas características individuais de cada atleta, e uni-las através de ideias comuns e transversais a todos. Só assim se explica que o treinador possa, por exemplo, colocar um médio de raiz (Romeu) no eixo defensivo, e ainda assim não se notar diferença em termos de rendimento.

Nada neste Paços parece ser feito ao acaso. A equipa dispõe-se principalmente num 4x4x2, sendo que no momento ofensivo é frequente passar a um 4x2x3x1, com o 9 (quer Cícero, quer Bruno Moreira) a funcionar como a referência na frente, maioritariamente para as bolas longas dos defesas, e com um segundo jogador que, dependendo das suas próprias características, tanto funciona como 10 ou como segundo avançado. No caso de ontem, foi a segunda opção, com a inclusão de Edson Farias no 11. Mas essencialmente, tudo neste Paços roda à volta de dois jogadores que actuam lado a lado na zona central do terreno e que são fulcrais para o modelo de jogo: Sérgio Oliveira e Seri. Com funções semelhantes dentro do modelo, são, no entanto, jogadores com perfis ligeiramente diferentes, e complementam-se quase na perfeição, dando à equipa grande qualidade nas fases de construção e no momento de organização ofensiva. É muito graças a eles que o Paços consegue adoptar a postura de "grande" em campo. O Sérgio é a referência na construção, o jogador que dá critério à posse da equipa e que liga a equipa através do passe. É hoje um dos bons valores portugueses da Liga e, a confirmarem-se os rumores de que voltará ao Porto na próxima temporada, terá uma segunda oportunidade para poder mostrar, na casa que o lançou para o futebol, o valor que lhe é reconhecido desde muito cedo na sua carreira. Já o Seri (que, curiosamente, também chegou ao futebol português através do Porto) é o médio de ligação entre sectores desta equipa. Um pequeno grande jogador de 1,68m, com um pulmão inesgotável, muito forte no preenchimento de espaços e que possui também várias valências ao nível técnico e do passe. O seu estilo de jogo, mais baseado no aspecto físico (corre vários quilómetros em todos os jogos, e sobretudo, sabe como, quando e para onde correr) complementa muito bem o estilo mais técnico e requintado do Sérgio. Uma das duplas mais interessantes da Liga.

Uma equipa que vale a pena seguir com atenção, este Paços. Quanto ao Benfica, destaque para um aspecto que me parece ter tido muita influência na derrota da equipa: a ausência de Gaitán. É impressionante a falta que o craque argentino faz a este Benfica, sobretudo ao nível da criatividade e da criação de oportunidades de golo. Em Paços de Ferreira, as soluções ofensivas do Benfica resumiram-se, quase sempre, a cruzamentos para a área. E aí, sem uma clara referência no jogo aéreo (Jonas e Lima, apesar de competentes nesse aspecto do jogo, não se destacam pela sua capacidade de ganhar bolas no ar), a defesa do Paços foi conseguindo, com maior ou menor dificuldade, resolver todos os lances. Perante isto, o Benfica foi incapaz de encontrar soluções ofensivas para chegar à baliza pacense. E isto também ajuda a explicar o fim de um recorde assinalável e que já durava desde Abril de 2012: com o nulo deste jogo, o Benfica quebrou uma série de 81 (!) jogos sempre a marcar.

E eis que, quando se pensava que o campeonato poderia começar a resolver-se, este volta a estar em aberto e, com a segunda metade da época pela frente, certamente que ainda teremos direito a assistir a muitas voltas e reviravoltas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Até sempre, Román...

Hoje o meu dia começou assim: "Riquelme anuncia retirada".

Não posso dizer que tenha sido a melhor forma de iniciar uma segunda-feira de Inverno fria mas solarenga. Talvez este dia tenha sido o melhor para ser anunciado um acontecimento deste género. O choque gélido de saber que um dos teus ídolos futebolísticos acaba de se retirar pode ser atenuado graças a um céu azul e um sol brilhante lá em cima.

Riquelme não foi propriamente o melhor jogador do Mundo. Toda a gente sabe isso. Talvez condicionado por números e estatísticas cada vez mais dominantes no futebol actual, o seu talento nunca se encontrou com dados quantitativos que sustentassem a qualidade evidente nos seus pés e na sua cabeça.

Riquelme para mim é daqueles segredos misteriosos da vida, que estão acompanhados com uma convicção absoluta de algo que é só inerentemente nosso. Algo que só nós percebemos, algo que só nós sentimos, algo cuja cumplicidade é naturalmente recíproca. Aquela certeza absoluta, arrogante e altiva que temos e que também sabemos que só nós entendemos... Riquelme é isto.

Riquelme é magia pura, é futebol desde os pitons da chuteira até à ponta do cabelo. Riquelme é um verdadeiro Deus no futebol por saber tornar algo difícil em momentos simples.


Riquelme é a minha inspiração desde os meus 13 anos, altura em que me aconselharam a ver "um nº10 tal e qual como tu". O meu jeito para o futebol não é sequer comparável ao estilo de futebolista que Riquelme foi durante toda a sua vida, mas que sempre procurei atingir: jogar de cabeça levantada, olhar para o jogo de maneira diferente, encontrar espaços onde não existem, levar a equipa a um patamar que nenhum outro futebolista conseguiria, ser a peça chave para desbloquear um jogo de futebol.

Aos olhos dos que o percebem, ao tacto dos que o sentiram, aos ouvidos dos que o escutaram... Riquelme é D10S.

E à pergunta sempre típica de "qual é o teu jogador preferido?", a minha resposta será sempre a mesma desde os 13 anos de idade: Juan Román Riquelme.

Até sempre, meu caro!
a·gri·do·ce |ô|
(agri- + doce)

adjectivo de dois géneros

Simultaneamente ácido e doce

"agridoce", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/agridoce [consultado em 26-01-2015].