Em 2008 o Manchester City foi tomado de posse pelo árabe Al
Mubarak. O dinheiro árabe logo se fez sentir quando Robinho aterrou em
Manchester vindo de Madrid a troco de 43 milhões de euros. O City tem, desde então, gasto muito dinheiro em jogadores. Exemplos de Tevez, Adebayor, Lescott, David
Silva, Yaya Toure, Milner, Javi Garcia, Navas ou Fernandinho. Se há dinheiro
bem gasto, embora talvez excessivo, também há dinheiro mal gasto e que tem
retardado um sucesso mais constante do clube. Olhando a frio para os
números, vamos para a 8º época do árabe à frente do clube e o City ganhou 2
títulos de campeão: um com dois golos nos descontos frente a um quase
despromovido QPR e outro graças a uma vitória sobre uma equipa de reservas
do Chelsea em Anfield, com o famoso escorregão de Gerrard. Mais grave que isso é
o desempenho do City na Liga dos Campeões.
Este ano, como sempre, os citizens voltaram a gastar muito
dinheiro. Sterling, Otamendi, De Bruyne e Delph custaram cerca de 200 milhões
de euros. Jogadores com muita qualidade, são boas adições ao plantel do
City mas para mim voltaram a descurar o reforço do plantel no seu todo, na sua profundidade. Não
nos enganemos, o City pode facilmente formar um onze fantástico:
XI - Hart, Zabaleta, Kompany, Otamendi, Kolarov,
Fernandinho, Touré, Silva, Sterling, De Bruyne, Aguero.
Top mundial. Onze para ser campeão em Inglaterra e para
brilhar nas provas europeias. No entanto, uma época é longa, existem lesões, um calendário apertado e com ele uma necessidade crónica de rotatividade. Estamos
numa fase crucial da época e o calendário apertou para o City, com jogos frente
ao Tottenham e ao Leicester, com a eliminatória para a Taça de Inglaterra com o
Chelsea, com a eliminatória da Liga dos Campeões frente ao Dínamo Kiev e com a
final da Carling Cup frente ao Liverpool. Com isto, frente ao Chelsea para a
Taça, o City apresentou o seguinte onze:
XI - Caballero, Zabaleta, Adarabioyo, Demichelis, Kolarov,
Fernando, A.Garcia, M.Garcia, Celina, Iheanacho, Faupala.
Olhando para o onze, só Zabaleta e
Kolarov supostamente são titulares. O City até tem opções, mas ou têm em
abundância para certos lugares, ou tem jogadores (demasiado) bem pagos que acrescentam
pouco ao plantel. Como exemplo, a questão dos laterais suplentes. Ou no ataque, onde para mim existem 4 números "10" nesta equipa (Touré, Silva, De Bruyne
e Nasri) e apenas 2 extremos (Navas e Sterling) fazendo com que jogadores como
Silva e De Bruyne acabem por deambular para as alas.
O City, com a contratação de Guardiola, tem agora uma
oportunidade fantástica de se afirmar, finalmente, como uma equipa regular na Europa. No
entanto, convém melhorar a distribuição dos milhões na profundidade do plantel.